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Empresas
de Ciência e Tecnologia Têm Casa Própria na Maia
Por
ANTÓNIO MOURA
Terça-feira,
27 de Novembro de 2001
Parque criado
das cinzas da Texas-Samsung
Em menos de dois anos, o Tecmaia atraiu já 16
empresas, algumas das quais investigam novos produtos
O
Tecmaia - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia é um dos
orgulhos do presidente da câmara local, Vieira de Carvalho. Em
menos de dois anos, atraiu 16 empresas. Outras vêm a caminho.
Muitas delas estão ligadas às chamadas novas tecnologias e
algumas investigam novos produtos. E uma boa parte dos seus
trabalhadores são quadros superiores. No final do ano, com a
expansão do parque, estes devem totalizar quase quatro
centenas. "Estamos a falar de licenciados e
doutorados", nota o autarca. A maioria deles da área da
Engenharia. Trata-se, portanto, de uma espécie de clube
restrito, com admissão mais ou menos reservada a quem faz
I&D (Investigação e Desenvolvimento).
O Tecmaia fica na zona industrial da Maia, uma das maiores e
mais bem equipadas do país, e surgiu das cinzas da fábrica que
a Texas/Samsung tinha no concelho há 26 anos e que deixou de
funcionar em 1999. O que fazer deste espaço? Havia um terreno e
instalações fabris desocupadas, era preciso saber o que fazer
com ambos. A Câmara da Maia, o Governo (ICEP - Instituto do Comércio
Externo de Portugal - e IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas
e Médias Empresas Industriais) e a Primus (uma agência de
desenvolvimento regional controlada pela Junta Metropolitana do
Porto) acordaram que o melhor seria aproveitá-los para um
parque empresarial e decidiram criar uma sociedade para o gerir.
A autarquia detém 55 por cento do capital da nova entidade,
cabendo ao Governo 35 por cento e à Primus os restantes 10 por
cento.
"Imaginamos
fazer aqui um verdadeiro parque de ciência e tecnologia, um
espaço de excelência e um centro de inteligência",
lembra Manuel Lemos, que foi chefe de gabinete da ex-ministra
Leonor Beleza e presidente da Administração Regional de Saúde
do Norte; agora, dirige a Primus e tem as suas impressões
digitais gravadas neste parque como administrador da sociedade
gestora. Algumas experiências europeias neste campo -
nomeadamente na Irlanda do Norte - serviram de exemplo. Para
avançar com o projecto, foi então decidido comprar as instalações
da antiga fábrica de componentes electrónicos por um milhão e
meio de contos e, depois, adaptá-las aos seus futuros
inquilinos.
O Instituto Português de Viticultura e Enologia, dirigido
por Francisco Ferreira Monteiro, professor no Instituto de Ciências
Biomédicas Abel Salazar, no Porto, foi a primeira entidade a
instalar-se no novo parque, com alguns laboratórios.
Seguiram-se outras - Nortel Networks Portugal, Connor (comércio
electrónico), Magnusphone/Maxiglobal (telecomunicações e
sistemas), Chipidea (engenharia e "design" de
circuitos integrados), Multiwave Networks Portugal (fibra óptica
de alto débito/ver texto à parte), Ericsson (telecomunicações),
etc. A Vodafone (ex-Telecel) prepara-se também para se instalar
ali.
Superfície vai crescer quase quatro vezes
"Não gastámos um centavo em publicidade ao
parque", afirma Manuel Lemos. No entanto, o Tecmaia - um
parque empresarial diferente dos tradicionais, com existência
formal desde Fevereiro do ano passado - não demorou a ser
conhecido daqueles que são os seus principais clientes-alvo. O
"passa-palavra" tem sido um dos principais veículos
de divulgação. "Gostamos de mostrar obra feita, em vez de
fazer promessas", afirma Vieira de Carvalho. Com seis mil
metros quadrados de superfície, "60 por cento da sua área
útil para arrendar está... arrendada", assegura Manuel
Lemos.
Até ao fim deste ano, afirma o mesmo responsável, o espaço
sobrante será preenchido. "É significativo",
considera, realçando como "é interessante sentir a pressão
das empresas" que pretendem mudar-se para o Tecmaia.
"Temos de andar mais depressa porque os clientes nos
pressionam", afirma. Dos onze mil metros quadrados actuais,
a superfície do parque "vai crescer para 40 mil metros
quadrados", e de acordo com "um plano director próprio
já definido". Segundo os responsáveis, "uma
infra-estrutura de base tecnológica" é um dos trunfos
deste equipamento.
Essa "infra-estrutura" declina-se em coisas como
linhas telefónicas dedicadas (um serviço que o parque
possibilita aos interessados), rede de fibra óptica, "self-service",
segurança durante as 24 horas do dia, potência eléctrica
adequada, etc. Acresce "um ambiente qualificado", com
manchas arborizadas envolvendo o parque, estacionamento, dois
campos de ténis e um de futebol. "Dentro de um ano e meio,
dois anos", de acordo com as previsões de Manuel Lemos,
quatro novos edifícios serão construídos e equipados para
permitir o alargamento do parque. "Vamos tentar negociá-los
ainda em planta", revela. 
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A FRASE
"Imaginamos fazer aqui um verdadeiro
parque de ciência e tecnologia, um espaço de
excelência e um centro de inteligência"
Manuel Lemos
Administrador da Tecmaia
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