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Jornal Público

Instituto de Viticultura e Enologia "Estreou" Tecmaia
Terça-feira, 27 de Novembro de 2001

O Instituto Português de Viticultura e Enologia (IPVE) foi o primeiro inquilino do Tecmaia. É uma instituição científica e técnica e foi criada em fins de 1998, tendo começado a sua "actividade física" em Abril do ano passado. O seu director, o professor universitário Francisco Ferreira Monteiro, explica que "realiza investigação e desenvolvimento no âmbito de colaborações internacionais e faz continuamente avaliação organoléptica dos vinhos portugueses por iniciativa do seu painel de peritos ou de acordo com protocolos estabelecidos com instituições".

Em Portugal, continua aquele responsável, o IPVE é a "instituição líder na área da formação em análise organoléptica" e, juridicamente, não tem fins lucrativos. É nas suas instalações que funciona a Sociedade Portuguesa de Viticultura e Enologia, também presidida por aquele professor e considerada "a sociedade científica e técnica do sector". As suas fontes de receita têm origem nos cursos de formação que organiza e nos protocolos com empresas do sector. Já organizou, por exemplo, diversos cursos de iniciação à prova de vinhos (espumantes, vinho do Porto, etc.) e à análise sensorial e de defeitos nos vinhos.

Francisco Ferreira Monteiro revela que a "instalação do IPVE no Tecmaia fez todo o sentido, visto que somos uma instituição científica e técnica vitivinícola" e este parque situa-se no Grande Porto, que "é uma das regiões metropolitanas vinícolas mais importantes do mundo". Graças à colaboração do parque, esta instituição afirma ter "uma estrutura de recursos humanos muito leve e flexível e muito focada na parte científica e técnica, mas com as vantagens de uma instituição com custos fixos muito maiores".

A.M. Topo de Página

 

Empresas de Ciência e Tecnologia Têm Casa Própria na Maia
Por ANTÓNIO MOURA
Terça-feira, 27 de Novembro de 2001

Parque criado das cinzas da Texas-Samsung

Em menos de dois anos, o Tecmaia atraiu já 16 empresas, algumas das quais investigam novos produtos

FotoO Tecmaia - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia é um dos orgulhos do presidente da câmara local, Vieira de Carvalho. Em menos de dois anos, atraiu 16 empresas. Outras vêm a caminho. Muitas delas estão ligadas às chamadas novas tecnologias e algumas investigam novos produtos. E uma boa parte dos seus trabalhadores são quadros superiores. No final do ano, com a expansão do parque, estes devem totalizar quase quatro centenas. "Estamos a falar de licenciados e doutorados", nota o autarca. A maioria deles da área da Engenharia. Trata-se, portanto, de uma espécie de clube restrito, com admissão mais ou menos reservada a quem faz I&D (Investigação e Desenvolvimento).

O Tecmaia fica na zona industrial da Maia, uma das maiores e mais bem equipadas do país, e surgiu das cinzas da fábrica que a Texas/Samsung tinha no concelho há 26 anos e que deixou de funcionar em 1999. O que fazer deste espaço? Havia um terreno e instalações fabris desocupadas, era preciso saber o que fazer com ambos. A Câmara da Maia, o Governo (ICEP - Instituto do Comércio Externo de Portugal - e IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas Industriais) e a Primus (uma agência de desenvolvimento regional controlada pela Junta Metropolitana do Porto) acordaram que o melhor seria aproveitá-los para um parque empresarial e decidiram criar uma sociedade para o gerir. A autarquia detém 55 por cento do capital da nova entidade, cabendo ao Governo 35 por cento e à Primus os restantes 10 por cento.

Foto"Imaginamos fazer aqui um verdadeiro parque de ciência e tecnologia, um espaço de excelência e um centro de inteligência", lembra Manuel Lemos, que foi chefe de gabinete da ex-ministra Leonor Beleza e presidente da Administração Regional de Saúde do Norte; agora, dirige a Primus e tem as suas impressões digitais gravadas neste parque como administrador da sociedade gestora. Algumas experiências europeias neste campo - nomeadamente na Irlanda do Norte - serviram de exemplo. Para avançar com o projecto, foi então decidido comprar as instalações da antiga fábrica de componentes electrónicos por um milhão e meio de contos e, depois, adaptá-las aos seus futuros inquilinos.

O Instituto Português de Viticultura e Enologia, dirigido por Francisco Ferreira Monteiro, professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, foi a primeira entidade a instalar-se no novo parque, com alguns laboratórios. Seguiram-se outras - Nortel Networks Portugal, Connor (comércio electrónico), Magnusphone/Maxiglobal (telecomunicações e sistemas), Chipidea (engenharia e "design" de circuitos integrados), Multiwave Networks Portugal (fibra óptica de alto débito/ver texto à parte), Ericsson (telecomunicações), etc. A Vodafone (ex-Telecel) prepara-se também para se instalar ali.

Superfície vai crescer quase quatro vezes

"Não gastámos um centavo em publicidade ao parque", afirma Manuel Lemos. No entanto, o Tecmaia - um parque empresarial diferente dos tradicionais, com existência formal desde Fevereiro do ano passado - não demorou a ser conhecido daqueles que são os seus principais clientes-alvo. O "passa-palavra" tem sido um dos principais veículos de divulgação. "Gostamos de mostrar obra feita, em vez de fazer promessas", afirma Vieira de Carvalho. Com seis mil metros quadrados de superfície, "60 por cento da sua área útil para arrendar está... arrendada", assegura Manuel Lemos.

Até ao fim deste ano, afirma o mesmo responsável, o espaço sobrante será preenchido. "É significativo", considera, realçando como "é interessante sentir a pressão das empresas" que pretendem mudar-se para o Tecmaia. "Temos de andar mais depressa porque os clientes nos pressionam", afirma. Dos onze mil metros quadrados actuais, a superfície do parque "vai crescer para 40 mil metros quadrados", e de acordo com "um plano director próprio já definido". Segundo os responsáveis, "uma infra-estrutura de base tecnológica" é um dos trunfos deste equipamento.

Essa "infra-estrutura" declina-se em coisas como linhas telefónicas dedicadas (um serviço que o parque possibilita aos interessados), rede de fibra óptica, "self-service", segurança durante as 24 horas do dia, potência eléctrica adequada, etc. Acresce "um ambiente qualificado", com manchas arborizadas envolvendo o parque, estacionamento, dois campos de ténis e um de futebol. "Dentro de um ano e meio, dois anos", de acordo com as previsões de Manuel Lemos, quatro novos edifícios serão construídos e equipados para permitir o alargamento do parque. "Vamos tentar negociá-los ainda em planta", revela. Topo de Página

A FRASE
"Imaginamos fazer aqui um verdadeiro parque de ciência e tecnologia, um espaço de excelência e um centro de inteligência"
Manuel Lemos
Administrador da Tecmaia

 


 

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Revisto: Março 01, 2002 .